Tapetes Corpus Christi – Junho de 2009

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Passa Quatro Canta 2012

Dia 7 de Abril no Jardim Dos Leões - "Passa Quatro Canta"

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Circuito Haka Race 2011 – Passa Quatro

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ESTAÇÃO CENTRAL

ESTAÇÃO DE PASSA QUATRO

Quando a locomotiva nº 7, a famosa “Couto de Magalhães”, em homenagem ao segundo concessionário para construir a ferrovia The Minas and Rio Railway, pois o primeiro fora o Barão de Mauá, apitou na curva, a população da Passa Quatro e da região estremeceu: era a viagem inaugural, trazendo o Imperador D. Pedro II e sua imperial comitiva. A folhinha marcava: 14 de junho de 1884.
O Imperador saiu do vagão especial para receber os saudares do povo e das autoridades. O Imperatriz Teresa Cristina e o Marechal Conde D’Eu não saíram do vagão, e foi lá que receberam apenas Ana da Mota Pais e sua filha Francisca Ribeiro Pereira Tibúrcio, conforme relata Helena Carneiro em seu livro Memórias de Passa Quatro.
Ana da Mota Pais era a fundadora da cidade, quando iniciou, erguendo, em louvor a São Sebastião, uma capela. Como grande proprietária de terra, doara à ferrovia um alqueire de terreno para que nele fosse implantado o pátio ferroviário, além de ter incentivado outros fazendeiros a fazer o mesmo. A escritura do ato doatário foi lavrada em Pouso Alto, em 1882.
A ferrovia levantou a Vila de sua pasmaceira, pois quatro ano após a sua inauguração, um abaixo-assinado chegou a Ouro Preto, capital da Província, pedindo a emancipação do então Distrito da comarca de Pouso Alto. Em 1888, a lei foi votada e, em 1890, o município, instalado.
Com a ferrovia, os capitais antes investidos em tropas de carga, buscaram novos investimentos, e a lavoura fumageira avançou para se tornar a principal atividade econômica. Dezenas de armazéns de fumo surgiram. A cidade se expandiu. Novas ruas, praças e avenidas, novos loteamentos. Escolas, Santa Casa, hotéis, bares, jardins. Os chafarizes trocados por rede de água. As fossas trocadas por rede de esgoto, ambas redes projetadas pelo famoso engenheiro Paulo de Frontin.
A ferrovia permitiu a exportação de milhares de arrobas de fumo para vários estados. Centenas de empregos criados. Os viajantes viajavam com cadernetas quilométricas, emitidas pela ferrovia.
O hábito social alterado: aos domingos, a juventude municipal fazia o footing na estação em dois horários: no Expresso das 11, que buscava Cruzeiro, e no Expresso das 15 horas, que voltava de Cruzeiro.
Durante certo tempo, funcionou na estação um restaurante, onde até políticos de renome almoçaram, muitas vezes, quando visitavam a cidade.
Até 17 de julho de 1921, a cidade usava o telégrafo da estação para transmitir ou receber seus telegramas; após aquela data inaugurou-se a agência do Telégrafo Nacional, segundo o semanário passaquatrense Correio do Sul, de 24 de julho de 1938.
A diretoria da estrada de ferro estava sediada em Cruzeiro, SP. Em 1930, era seu diretor Alcides Lins. Quando explodiu a Revolução de 30, esse engenheiro, com a cooperação dos demais funcionários da Rede Mineira Viação, em pouco tempo, conse-guiu transferir a maior parte do material rodante para Passa Quatro, que passou a ser, então, a sede da ferrovia.
O trem que viera fechando a viagem, já numa operação de guerra, tivera uma missão: passar graxa nos trilhos buscando impedir ou retardar a possível perseguição das tropas paulistas.
Em Passa Quatro, Alcides Lins passou o seguinte telegrama para Alaor Prata, do Governo de Minas:
“Comunico estação rádio Cruzeiro fechada e não havendo lá elementos de resistência efetivo, vem acompanhado dos che-fes de tráfego. Todas as providências que tempo permitia foram tomadas. Todo o dinheiro aqui.”
Da estação de Passa Quatro expediu dezenas de telegramas às autoridades mineiras, informando, pedindo reforços, indi-cando estratégias, clamando providências; depois, quando as tropas paulistas desceram a serra, ele, sempre muito bem infor-mado, levou seus vagões e locomotivas para Soledade.
O pátio ferroviário era um grande depósito de lenha para mantença das caldeiras das locomotivas. Daqui até o alto da Mantiqueira, na boca do túnel, eram necessárias duas locomotivas para levar um trem até a estação de Cel. Fulgêncio. Em che-gando lá, uma máquina retornava a Passa Quatro, pois, para descer até Cruzeiro, uma locomotiva bastava.
Passa Quatro recebia quatro trens diários: dois expressos e dois mistos; um misto e um expresso iam para Cruzeiro e ou-tro tanto retornava.
Mas, geralmente, o misto das 18 horas para Cruzeiro sempre teimava em chegar às 21 ou às 22 horas…
Durante o governo Milton Campos houve, na Rede Mineira Viação, uma greve de repercussão nacional, que a escritora baiana Alina Paim registrou num romance: A HORA PRÓXIMA, onde a autora usou as estações de Cruzeiro e Passa Quatro como cenário para seus personagens, alguns verdadeiros.
Depois, que a ferrovia passou a usar locomotivas movidas a óleo, algumas pessoas pobres que moravam ao longo da linha sofreram no bolso com este avanço tecnológico: os maquinistas atiravam feixes de lenha para tais moradores…
Quando ainda não se falava em asfaltar as estradas de terra do Sul de Minas, a Rede Mineira Viação colocava, na época do veraneio, vagão-salão, com poltronas individuais, forradas de capas brancas e giratórias, para os veranistas que do Rio buscavam São Lourenço e Caxambu.
Os carros restaurantes prestavam um bom serviço à população de Passa Quatro: eles eram a salvação de muitas pessoas doentes, já que mercavam maças argentinas. Naquela época, acreditávamos que maça era fruta de doente… e ninguém as vendia na cidade.
A estação, nas épocas áureas, vivia cercada de carroças e charretes. Quase todo o fumo, milhares de arrobas por ano, era transportado para a estação, em carroças. Havia firma de tão grande movimento exportador que, quando marcava o dia da ex-portação, os despachantes da ferrovia avisavam as demais para que não levassem mercadorias ao armazém ferroviário.
Em 1927, segundo Heli Menegale, escrevendo na revista ELÉTRICA, de Itanhandu, a ferrovia arrecadara cerca de trezen-tos contos de réis em frete, a maior parte dos fumageiros. O Estado, nesse mesmo ano, amealhara cem contos, e o Governo Federal igual quantia, já a municipalidade, cento e cinqüenta contos de réis.
Não se sabe qual a misteriosa razão que levou ao abandono a malha ferroviária do país, tão importante como meio de transporte em qualquer parte do mundo, haja vista os modernos trens do Japão e da França.
Parece que há uma nova mentalidade surgindo para recuperar o que foi tão mal perdido. Ainda bem, já que uma ferrovia é, como sempre foi, incentivo ao progresso e foco de novas realizações.

Pedro Mossri
Historiador

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Estação do Manacá


ESTAÇÃO DO MANACÁ

Manacá é um arbusto cujas flores variáveis, conforme o Dicionário do Houaiss, ganham totalidades brancas, roxas e lilases. Suas raízes são purgativas e depurativas.
Poetas e romancistas de todas as escolas literárias como José de Alencar, Fagundes Varela, Bernardo Guimarães, José Veríssimo, Lima Barreto, Mário de Andrade, Guimarães Rosa e tantos outros citaram essa delicada flor em seus livros.
Pode-se levantar a hipótese que, na época da construção da estação Manacá, deveria haver, nas suas cercanias, be-los pés de manacás em plena florescência, para que não se desse o nome de Pinheirinhos a tal construção.
Distante quatro quilômetros da estação central do município, Manacá era ponto de embarque não só para os moradores da sede do futuro distrito mas também para os rurais do Quilombo, Caxambu, Morro, Fazenda Velha e outros bairros.
Pinheirinhos teve sua primeira capela, aliás, a primeira capela também de Passa Quatro, segundo a nossa historiadora Helena Carneiro, erguida por Domingos da Mota Pais, senhor da Fazenda da Cachoeira, mais tarde Fazenda Velha, onde viera morar, em 1810.
Ele era filho do barão Joaquim Félix da Mota Pais, radicado no Rio de Janeiro.
Pinheirinhos, estando à margem do famoso “caminho velho” dos tempos coloniais e imperiais, viu muita tropa passar, levando e trazendo riquezas mil.
Sua denominação veio também de uma vegetação que lhe dá o nome, pois quando os primeiros bandeirantes, vindos do Vale do Paraíba, penetraram nas terras dos cataguás, pela garganta do Embaú, encontraram, ainda em crescimento, tais pinheiros. Daí, Pinheirinhos.
Há menção do nome no livro de Antonil, editado em 1711 – CULTURA E OPOLULÊNCIA DO BRASIL:
“Então, começam a passar o ribeirão que chamam de Passavinte, porque vinte vezes se passa e se sobe às serras, encontrando aprazíveis árvores de pinhães” – ou – “passam outro ribeiro que chamam Passa-Trinta, porque trinta e mais vezes se passa, se vai aos Pinheirinhos, lugar assim chamado por ser o princípio deles” – isto é, o começo do crescimento dos pinheiros.
No “Diário da Jornada que fez o exmo. Dom Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar, desde o Rio de Janeiro até a cidade de São Paulo e desta até as Minas de Ouro, ano 1717”, após descer a Mantiqueira, a comitiva se encontrou em uma planície “bastantemente grande, adonde estava um sítio chamado o Pinteirinho, habitado por um paulista, que hospedou magnificamente a sua excia.”
Esse “pinteirinho” era o nosso Pinheirinhos.
Em 1732, Francisco Tavares de Brito publicou um ITINERÁRIO GEOGRÁFICO, percorrendo o mesmo caminho de Antonil e do Conde de Assumar, para alcançar as minas de ouro. Assim, o autor do livro sai de São Paulo, passando por várias localidades ao longo do Paraíba. Em Embaú, cruza o Rio Passa Vinte, sobe a Mantiqueira, ultrapassa o Rio Passa Trinta, e aporta em Pinheirinhos.
Com a estrada de ferro, ainda segundo Helena Carneiro, em Memórias de Passa Quatro, o arraial começa a se formar perto da estação Manacá e ladeando o antigo “caminho velho”.
Na Revolução de 1930, Manacá estava praticamente na linha de fogo, pois serviu de base às tropas mineiras. Seu telégrafo foi a única via de comunicação entre as forças em luta e o Palácio do Governo, em Belo Horizonte.
Eis um telegrama dramático passado por Djalma Pinheiros Chagas, às 17:30 horas, de 21 de outubro, de Manacá:
“Inimigos entrincheirados fortemente garganta do Túnel.
Iniciados agora ataques nossa posição regular.”
Mas o telegrama mais esperado foi também enviado de Manacá, pelos Coronéis Fonseca e Marques ao Secretário do Interior, em Belo Horizonte:
“Nossas forças acabaram de ocupar o Túnel, tendo o inimigo se retirado, deixando abandonado alguma munição e outros materiais. Com esse feito está terminada nossa missão nesta linha. Nossas congratulações. Aproveitando a oportunidade reorganizar destacamentos e cumprir ordens Estado Maior. Túnel guardado pelo Tenente Praxedes com 100 homens do Destacamento Fonseca.”
Durante a Revolução de 1932, a pequena estação foi ocupada pelas tropas mineiras e, quando as forças paulistas desceram a Serra, elas também ocuparam-na. Algum tempo depois, tais forças de São Paulo, ante o avanço das tropas de Minas, passaram pela pequena estação sem parar, seus trens ferroviários subindo a Mantiqueira, forçando as locomotivas, mas as tropas mineiras, temendo emboscadas, desprezaram a ferrovia, galgando a serra pela estrada de rodagem e pelos pastos.
A igreja católica de Pinheirinhos é dedicada à Santa Luzia, que ali faz sua festa durante o começo de dezembro, cul-minando tal festejo em 13 de dezembro, com procissão, missas, quermesses, leilões, etc.
Agora, após 120 anos de sua inauguração, a estação Manacá retorna a sua função ferroviária, em prol do turismo e do lazer, embora pequenina e simples, ela continuará a ser o que sempre foi: um ponto de referência na Serra da Manti-queira.

Pedro Mossri
Historiador

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Estação Cel. Fulgêncio

ESTAÇÃO CEL. FULGÊNCIO

A estação ferroviária CEL. FULGÊNCIO está localizada no bairro rural do REGISTRO, no Município de Passa Quatro, na boca mineira do famoso Túnel da Mantiqueira.
A denominação de REGISTRO provém de um posto fiscal instalado ainda nos tempos coloniais e administrado por militares para controlar a saída e entrada de bens de consumo, bem como o contrabando do ouro e pedras preciosas, soldados esses do Regimento de Linha da Capitania de Minas.
No Livro de Entradas de 1777, lavrado em Vila Rica, em 4 de janeiro, na página de rosto, no alto, uma dada: 1776-1777. Logo abaixo: “DIÁRIO DE ENTRADAS DO REGISTRO DA MANTIQUEIRA”. Havia, como é óbvio um “livro de saídas”.
Muitos historiadores afirmam que, depois dos índios, que transitavam pela trilha aberta por eles mesmos para des-cer, através da Garganta do Embaú, até o Vale do Paraíba, Jacques Félix, fundador de Taubaté, foi o primeiro branco a pisar a região, buscando índios. Depois de já formada a Vila de Taubaté, que Fernão Dias, sonhando com suas esmeral-das, penetrou o sertão da gerais. Aliás, Taubaté era uma espécie de pouso de bandeirantes tais como Antônio Rodrigues Arzão, Bartolomeu Bueno de Siqueira, Antônio Dias de Oliveira, Thomé Portes Del Rei e tantos outros. Todos eles buscavam, principalmente, índios para escravizá-los e torná-los mão-de-obra rural.
Durante largo tempo, a Garganta do Embaú foi a única porta de entrada de Minas, posto que quem buscasse o Rio de Janeiro, nessa época, teria que descer a Mantiqueira até a atual Cachoeira Paulista, então Porto da Canoas, subir e descer a Serra do Mar até Parati para pegar um navio que navegasse pro Rio.
Mais tarde, quando um filho de Fernão Dias abriu um novo caminho, ligando o Rio de Janeiro às cidades de Bar-bacena e Ouro Preto, esse nosso caminho passou a ser chamado de “caminho velho”, e é com esse nome que entra em vários livros de história e, recentemente, passa a fazer parte das chamadas “estradas reais”.
Por essa estrada, em lombo de tropas, passou uma quantidade enorme de ouro, pedras preciosas, feijão, milho, carne de porco, escravos, sal, pólvora, movimentando o comércio entre as minas gerais e o resto de Brasil.
O cientista francês Auguste Saint Hilaire, em março de 1822, vindo do interior de Minas, passou no Registro da Mantiqueira, ele e sua comitiva, quatro sofridos dias de frio e chuva, juntamente com diversas tropas, à espera de um tempo melhor para iniciar a descida da serra.
Antes, João Antônio Andreoni, ou Antonil, como ficou conhecido, publicou e, 1711, seu famoso livro – CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL, onde descreve, entre outras coisas, uma viagem de São Paulo a Minas, através do vale do Paraíba e, após, vencer o Embaú, passa por terras do Registro e vai descansar em Pinheirinhos.
Em 1717, Dom Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar, vindo de São Paulo, buscando a primeira capital de Minas – MARIANA, também cruzou por terras do Registro.
A construção da Estrada de Ferro Rio Verde, primeiro nome da ferrovia, mais tarde MINAS AND RIO, trouxe deze-nas de operários italianos para a região, além de brasileiros, é claro.
D. Pedro II, interessado em estender a malha ferroviária pelo Brasil afora, visitou duas vezes o túnel: quando foi iniciada as obras de abertura, em 1882, e quando inaugurou a ferrovia, em 1884.
As duas Revoluções – 1930- e 1932 – deram amplo destaque à região. Trincheiras foram abertas, milhares de tiros disparados, armas como canhões, metralhadoras e fuzis despejaram a morte nas grotas e nos morros. Soldados e ofici-ais foram mortos. De entre os oficiais, o Tenente-Coronel Fulgêncio de Souza Santos, “ferido mortalmente por um projé-til”, conforme narra o professor Francis Albert Costa em seu ensaio – As Trincheiras da Mantiqueira – além “dos tenentes Anastácio Rodrigues de Moura e João Luiz de Freitas, esses vitimados por explosão de uma granada de mão”, testemu-nha ainda citado o professor.
Livros escritos sobre tais conflitos, como o de Heli Menegale sobre o Cabo Deodato, militar da Força Pública de Minas, narram o heroísmo de tantos anônimos que, de ambos os lados da serra, lutaram ou se feriram ou perderam vi-das.
Durante tais conflitos, a região do Registro foi visitada por dezenas de personalidades que, com o passar do tem-po, se tornaram figuras destacadas na vida brasileira, tais como Carlos Drummond de Andrade, Gustavo Capanema, do qual o poeta era Secretário, General Eurico Gaspar Dutra, futuro Presidente da República, Benedito Valadares, foi chefe de Polícia no destacamento militar, e futuro governador de Minas, Rubem Braga, correspondente de jornal e futuro cro-nista de renome nacional, Juscelino Kubitschek, que, atuando como médico, descobriu aqui a sua vocação política, como escreveu em suas memórias, e tantos outros.
Em homenagem ao bravo Coronel, o governo de Minas houve por bem reter a memória de seus feitos, dando o nome da Estação Cel. Fulgêncio à pequena estação da Rede Mineira Viação, perdida em nossa Mantiqueira mas, durante o funcionamento da ferrovia, prestadora de relevantes serviços e um ponto de referência para tanta gente da região.
Na década de sessenta, o asfalto cobre o mesmo antigo “caminho velho”, no sentido lato do vocabulário, porque a engenharia rodoviária traçou o seu rumo pelas divisórias de água, deixando a famosa trilha colonial no fundos das grotas, bem como a pequena estação, e o famoso túnel.
Eis que, agora, a centenária ferrovia renasce como prova de sua fortaleza, após alguns anos de total abandono, trazendo a possibilidade de, como atração turística, despertar nos responsáveis o ânimo de reinventá-la com todas as suas pontencialidades. Há que se registrar, nesta empreitada, o valoroso trabalho que vem desenvolvendo a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária – ABPF. E os habitantes deste canto de Minas e de Passa Quatro estaremos aqui, prontos a colaborar pela memória de tal relevante empreendimento, como estaremos também prontos a trabalhar pelo seu futuro.

Pedro Mossri
Historiador

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Bandeira do Municipio de Passa Quatro

 

LEI Nº 479/1969

Que institui a Bandeira do Município.

O Povo do Município de Passa Quatro, por seus representantes, decretou e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º Fica instituída a Bandeira do Município de Passa Quatro, de conformidade com o disposto no artigo 1º, §3º da Constituição Federal e cujo será regulamentado, através de decreto, pelo Executivo Municipal.

Art. 2º A mencionada bandeira, elaborada pelo heraldista Alberto Lima, do Rio de Janeiro, segundo sugestões da artista Maria José Borges Guedes, apresentará as seguintes características: I – Escudo português – ibérico –, cortado de dois traços, formando três campos; no primeiro, de blau – azul –, uma cordilheira de ouro; brica de prata, destacando um triângulo de goles – vermelho –; no segundo, em campo de blau – azul –, uma fonte, de prata; no terceiro, em campo de sínople – verde –, uma faixa ondeada de prata. Listel de goles – vermelho –, carregado com os seguintes dizeres de prata: 1673 – PASSA QUATRO – 1888. Como suportes, à destra (direita), e à sinistra (esquerda), respectivamente, uma flâmula de prata marcada com a Cruz de Cristo e um bacamarte de ouro e prata; uma haste de fumo. Conjunto encimado pela coroa mural de cinco torres de prata que é da cidade, carregado de uma elipse, de azul com três flechas de ouro cruzadas.

II – O escudo português lembra a origem lusitana de nossa Pátria; a cordilheira evidencia a Serra da Mantiqueira, com seu pico de Itaguaré, o mais alto da região; a fonte, a riqueza hidromineral do Município; a flâmula e o bacamarte sugerem a bandeira de Fernão Dias Paes Leme, fundador do nascente povoado; o fumo, a riqueza nativa de ontem e de hoje; a elipse com as flechas assinala a presença de Deus, sob a evocação de São Sebastião, o triângulo a presença de Minas Gerais. As datas – 1673 e 1888 – marcam a fundação de Passa Quatro e a sua elevação à dignidade de Município.

III – O ouro significa força, riqueza e glória; prata representa candura; vermelho sintetiza a intrepidez; azul concretiza a serenidade e o verde simboliza a esperança.

IV – Em resumo, a Bandeira Municipal será em campo de branco, duas palas de vermelho, nos extremos, tendo ao centro o brasão de armas, em todas as cores. As palas de vermelho correspondem cada uma a 1/3 do conjunto.

Art. 3º Revogadas as disposições em contrário, entrando esta lei em vigor na data de sua publicação.

Passa Quatro, 17 de julho de 1969.

José Mota Pelegrini Prefeito Municipal

Pedro Mossri Secretário

JUSTIFICATIVA A presente lei visar dotar nosso município de sua bandeira e de seu brasão, como entidade administrativa autônoma que é. O desenho, elaborado pelo especialista Alberto Lima, profundo conhecedor de heráldica, foi, primeiramente, esboçado pela artista passaquatrense Maria José Borges Guedes, emérita pintora, radicada na cidade fluminense de Macaé, que prontamente atendeu ao nosso apelo, desenhando o nosso pavilhão municipal. A ela e ao Sr.Alberto Lima, a nossa gratidão.

Passa Quatro, 9 de julho de 1969. José Mota Pelegrini

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Making Of Natal Boticário em Passa Quatro

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Tombamento

TOMBAMENTO

O que é tombamento?

O tombamento é um ato administrativo realizado pelo Poder Público com o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

O que pode ser tombado?

O Tombamento pode ser aplicado aos bens móveis e imóveis, de interesse cultural ou ambiental, quais sejam: fotografias, livros, mobiliários, utensílios, obras de arte, edifícios, ruas, praças, cidades, regiões, florestas, cascatas etc. Somente é aplicado aos bens materiais de interesse para a preservação da memória coletiva.

Quem pode efetuar um tombamento?

O Tombamento pode ser feito pela União, por intermédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pelo Governo Estadual, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado ou pelas administrações municipais, utilizando leis específicas ou a legislação federal.

O ato do tombamento é igual à desapropriação?

Não. São atos totalmente diferentes. O Tombamento não altera a propriedade de um bem, apenas proíbe que venha a ser destruído ou descaracterizado. Logo, um bem tombado não necessita ser desapropriado.

Um bem tombado pode ser alugado ou vendido?

Sim. Desde que o bem continue sendo preservado. Não existe qualquer impedimento para a venda, aluguel ou herança de um bem tombado. No caso de venda, deve ser feita uma comunicação prévia à instituição que efetuou o tombamento, para que esta manifeste seu interesse na compra do mesmo.

O Tombamento preserva?

Sim. O Tombamento é a primeira ação a ser tomada para a preservação dos bens culturais, na medida que impede legalmente a sua destruição. No caso de bens culturais, preservar não é só a memória coletiva, mas todos os esforços e recursos já investidos para sua construção. A preservação somente se torna visível para todos quando um bem cultural se encontra em bom estado de conservação, propiciando sua plena utilização.

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