Posts Marcados Com: mantiqueira

Anúncios
Categorias: Videos | Tags: , , | 1 Comentário

Estação do Manacá


ESTAÇÃO DO MANACÁ

Manacá é um arbusto cujas flores variáveis, conforme o Dicionário do Houaiss, ganham totalidades brancas, roxas e lilases. Suas raízes são purgativas e depurativas.
Poetas e romancistas de todas as escolas literárias como José de Alencar, Fagundes Varela, Bernardo Guimarães, José Veríssimo, Lima Barreto, Mário de Andrade, Guimarães Rosa e tantos outros citaram essa delicada flor em seus livros.
Pode-se levantar a hipótese que, na época da construção da estação Manacá, deveria haver, nas suas cercanias, be-los pés de manacás em plena florescência, para que não se desse o nome de Pinheirinhos a tal construção.
Distante quatro quilômetros da estação central do município, Manacá era ponto de embarque não só para os moradores da sede do futuro distrito mas também para os rurais do Quilombo, Caxambu, Morro, Fazenda Velha e outros bairros.
Pinheirinhos teve sua primeira capela, aliás, a primeira capela também de Passa Quatro, segundo a nossa historiadora Helena Carneiro, erguida por Domingos da Mota Pais, senhor da Fazenda da Cachoeira, mais tarde Fazenda Velha, onde viera morar, em 1810.
Ele era filho do barão Joaquim Félix da Mota Pais, radicado no Rio de Janeiro.
Pinheirinhos, estando à margem do famoso “caminho velho” dos tempos coloniais e imperiais, viu muita tropa passar, levando e trazendo riquezas mil.
Sua denominação veio também de uma vegetação que lhe dá o nome, pois quando os primeiros bandeirantes, vindos do Vale do Paraíba, penetraram nas terras dos cataguás, pela garganta do Embaú, encontraram, ainda em crescimento, tais pinheiros. Daí, Pinheirinhos.
Há menção do nome no livro de Antonil, editado em 1711 – CULTURA E OPOLULÊNCIA DO BRASIL:
“Então, começam a passar o ribeirão que chamam de Passavinte, porque vinte vezes se passa e se sobe às serras, encontrando aprazíveis árvores de pinhães” – ou – “passam outro ribeiro que chamam Passa-Trinta, porque trinta e mais vezes se passa, se vai aos Pinheirinhos, lugar assim chamado por ser o princípio deles” – isto é, o começo do crescimento dos pinheiros.
No “Diário da Jornada que fez o exmo. Dom Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar, desde o Rio de Janeiro até a cidade de São Paulo e desta até as Minas de Ouro, ano 1717”, após descer a Mantiqueira, a comitiva se encontrou em uma planície “bastantemente grande, adonde estava um sítio chamado o Pinteirinho, habitado por um paulista, que hospedou magnificamente a sua excia.”
Esse “pinteirinho” era o nosso Pinheirinhos.
Em 1732, Francisco Tavares de Brito publicou um ITINERÁRIO GEOGRÁFICO, percorrendo o mesmo caminho de Antonil e do Conde de Assumar, para alcançar as minas de ouro. Assim, o autor do livro sai de São Paulo, passando por várias localidades ao longo do Paraíba. Em Embaú, cruza o Rio Passa Vinte, sobe a Mantiqueira, ultrapassa o Rio Passa Trinta, e aporta em Pinheirinhos.
Com a estrada de ferro, ainda segundo Helena Carneiro, em Memórias de Passa Quatro, o arraial começa a se formar perto da estação Manacá e ladeando o antigo “caminho velho”.
Na Revolução de 1930, Manacá estava praticamente na linha de fogo, pois serviu de base às tropas mineiras. Seu telégrafo foi a única via de comunicação entre as forças em luta e o Palácio do Governo, em Belo Horizonte.
Eis um telegrama dramático passado por Djalma Pinheiros Chagas, às 17:30 horas, de 21 de outubro, de Manacá:
“Inimigos entrincheirados fortemente garganta do Túnel.
Iniciados agora ataques nossa posição regular.”
Mas o telegrama mais esperado foi também enviado de Manacá, pelos Coronéis Fonseca e Marques ao Secretário do Interior, em Belo Horizonte:
“Nossas forças acabaram de ocupar o Túnel, tendo o inimigo se retirado, deixando abandonado alguma munição e outros materiais. Com esse feito está terminada nossa missão nesta linha. Nossas congratulações. Aproveitando a oportunidade reorganizar destacamentos e cumprir ordens Estado Maior. Túnel guardado pelo Tenente Praxedes com 100 homens do Destacamento Fonseca.”
Durante a Revolução de 1932, a pequena estação foi ocupada pelas tropas mineiras e, quando as forças paulistas desceram a Serra, elas também ocuparam-na. Algum tempo depois, tais forças de São Paulo, ante o avanço das tropas de Minas, passaram pela pequena estação sem parar, seus trens ferroviários subindo a Mantiqueira, forçando as locomotivas, mas as tropas mineiras, temendo emboscadas, desprezaram a ferrovia, galgando a serra pela estrada de rodagem e pelos pastos.
A igreja católica de Pinheirinhos é dedicada à Santa Luzia, que ali faz sua festa durante o começo de dezembro, cul-minando tal festejo em 13 de dezembro, com procissão, missas, quermesses, leilões, etc.
Agora, após 120 anos de sua inauguração, a estação Manacá retorna a sua função ferroviária, em prol do turismo e do lazer, embora pequenina e simples, ela continuará a ser o que sempre foi: um ponto de referência na Serra da Manti-queira.

Pedro Mossri
Historiador

Categorias: Histórias | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Estação Cel. Fulgêncio

ESTAÇÃO CEL. FULGÊNCIO

A estação ferroviária CEL. FULGÊNCIO está localizada no bairro rural do REGISTRO, no Município de Passa Quatro, na boca mineira do famoso Túnel da Mantiqueira.
A denominação de REGISTRO provém de um posto fiscal instalado ainda nos tempos coloniais e administrado por militares para controlar a saída e entrada de bens de consumo, bem como o contrabando do ouro e pedras preciosas, soldados esses do Regimento de Linha da Capitania de Minas.
No Livro de Entradas de 1777, lavrado em Vila Rica, em 4 de janeiro, na página de rosto, no alto, uma dada: 1776-1777. Logo abaixo: “DIÁRIO DE ENTRADAS DO REGISTRO DA MANTIQUEIRA”. Havia, como é óbvio um “livro de saídas”.
Muitos historiadores afirmam que, depois dos índios, que transitavam pela trilha aberta por eles mesmos para des-cer, através da Garganta do Embaú, até o Vale do Paraíba, Jacques Félix, fundador de Taubaté, foi o primeiro branco a pisar a região, buscando índios. Depois de já formada a Vila de Taubaté, que Fernão Dias, sonhando com suas esmeral-das, penetrou o sertão da gerais. Aliás, Taubaté era uma espécie de pouso de bandeirantes tais como Antônio Rodrigues Arzão, Bartolomeu Bueno de Siqueira, Antônio Dias de Oliveira, Thomé Portes Del Rei e tantos outros. Todos eles buscavam, principalmente, índios para escravizá-los e torná-los mão-de-obra rural.
Durante largo tempo, a Garganta do Embaú foi a única porta de entrada de Minas, posto que quem buscasse o Rio de Janeiro, nessa época, teria que descer a Mantiqueira até a atual Cachoeira Paulista, então Porto da Canoas, subir e descer a Serra do Mar até Parati para pegar um navio que navegasse pro Rio.
Mais tarde, quando um filho de Fernão Dias abriu um novo caminho, ligando o Rio de Janeiro às cidades de Bar-bacena e Ouro Preto, esse nosso caminho passou a ser chamado de “caminho velho”, e é com esse nome que entra em vários livros de história e, recentemente, passa a fazer parte das chamadas “estradas reais”.
Por essa estrada, em lombo de tropas, passou uma quantidade enorme de ouro, pedras preciosas, feijão, milho, carne de porco, escravos, sal, pólvora, movimentando o comércio entre as minas gerais e o resto de Brasil.
O cientista francês Auguste Saint Hilaire, em março de 1822, vindo do interior de Minas, passou no Registro da Mantiqueira, ele e sua comitiva, quatro sofridos dias de frio e chuva, juntamente com diversas tropas, à espera de um tempo melhor para iniciar a descida da serra.
Antes, João Antônio Andreoni, ou Antonil, como ficou conhecido, publicou e, 1711, seu famoso livro – CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL, onde descreve, entre outras coisas, uma viagem de São Paulo a Minas, através do vale do Paraíba e, após, vencer o Embaú, passa por terras do Registro e vai descansar em Pinheirinhos.
Em 1717, Dom Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar, vindo de São Paulo, buscando a primeira capital de Minas – MARIANA, também cruzou por terras do Registro.
A construção da Estrada de Ferro Rio Verde, primeiro nome da ferrovia, mais tarde MINAS AND RIO, trouxe deze-nas de operários italianos para a região, além de brasileiros, é claro.
D. Pedro II, interessado em estender a malha ferroviária pelo Brasil afora, visitou duas vezes o túnel: quando foi iniciada as obras de abertura, em 1882, e quando inaugurou a ferrovia, em 1884.
As duas Revoluções – 1930- e 1932 – deram amplo destaque à região. Trincheiras foram abertas, milhares de tiros disparados, armas como canhões, metralhadoras e fuzis despejaram a morte nas grotas e nos morros. Soldados e ofici-ais foram mortos. De entre os oficiais, o Tenente-Coronel Fulgêncio de Souza Santos, “ferido mortalmente por um projé-til”, conforme narra o professor Francis Albert Costa em seu ensaio – As Trincheiras da Mantiqueira – além “dos tenentes Anastácio Rodrigues de Moura e João Luiz de Freitas, esses vitimados por explosão de uma granada de mão”, testemu-nha ainda citado o professor.
Livros escritos sobre tais conflitos, como o de Heli Menegale sobre o Cabo Deodato, militar da Força Pública de Minas, narram o heroísmo de tantos anônimos que, de ambos os lados da serra, lutaram ou se feriram ou perderam vi-das.
Durante tais conflitos, a região do Registro foi visitada por dezenas de personalidades que, com o passar do tem-po, se tornaram figuras destacadas na vida brasileira, tais como Carlos Drummond de Andrade, Gustavo Capanema, do qual o poeta era Secretário, General Eurico Gaspar Dutra, futuro Presidente da República, Benedito Valadares, foi chefe de Polícia no destacamento militar, e futuro governador de Minas, Rubem Braga, correspondente de jornal e futuro cro-nista de renome nacional, Juscelino Kubitschek, que, atuando como médico, descobriu aqui a sua vocação política, como escreveu em suas memórias, e tantos outros.
Em homenagem ao bravo Coronel, o governo de Minas houve por bem reter a memória de seus feitos, dando o nome da Estação Cel. Fulgêncio à pequena estação da Rede Mineira Viação, perdida em nossa Mantiqueira mas, durante o funcionamento da ferrovia, prestadora de relevantes serviços e um ponto de referência para tanta gente da região.
Na década de sessenta, o asfalto cobre o mesmo antigo “caminho velho”, no sentido lato do vocabulário, porque a engenharia rodoviária traçou o seu rumo pelas divisórias de água, deixando a famosa trilha colonial no fundos das grotas, bem como a pequena estação, e o famoso túnel.
Eis que, agora, a centenária ferrovia renasce como prova de sua fortaleza, após alguns anos de total abandono, trazendo a possibilidade de, como atração turística, despertar nos responsáveis o ânimo de reinventá-la com todas as suas pontencialidades. Há que se registrar, nesta empreitada, o valoroso trabalho que vem desenvolvendo a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária – ABPF. E os habitantes deste canto de Minas e de Passa Quatro estaremos aqui, prontos a colaborar pela memória de tal relevante empreendimento, como estaremos também prontos a trabalhar pelo seu futuro.

Pedro Mossri
Historiador

Categorias: Histórias | Tags: , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: